Compreender a Ansiedade

O que é a Ansiedade?

A ansiedade é uma resposta natural do organismo a situações de stress ou percecionadas como ameaçadoras. É aquela sensação de nervosismo ou preocupação antes de um exame, de uma apresentação ou de uma decisão importante. Todos sentimos ansiedade em determinados momentos — o problema surge quando esta se torna intensa, constante e difícil de controlar, interferindo no nosso bem-estar e nas atividades do dia a dia.
Será que sabemos que… sentir alguma ansiedade pode até melhorar o desempenho? Pode motivar-nos a estudar, a preparar-nos melhor ou a prevenir riscos. Mas quando deixa de ser útil e começa a dominar os nossos pensamentos e ações, é sinal de que algo não está bem.

Qual a diferença entre stress e ansiedade?

O stress é geralmente uma resposta a um desafio externo, como um prazo ou conflito. Já a ansiedade é uma reação interna que pode persistir mesmo sem uma causa clara. O stress tende a desaparecer quando o desafio termina; a ansiedade pode manter-se, intensificar-se e levar a um sofrimento prolongado.

O que causa ansiedade?

A ansiedade pode ter múltiplas causas, variando de pessoa para pessoa. Geralmente, resulta de uma interação entre fatores biológicos, psicológicos e ambientais. Eis algumas das causas mais comuns:

Fatores biológicos
• Predisposição genética – Ter familiares com Perturbação de ansiedade pode aumentar o risco;
• Desequilíbrios químicos no cérebro, especialmente nos neurotransmissores como serotonina, noradrenalina e GABA;
• Alterações hormonais, como nas fases da puberdade, gravidez ou menopausa.

Fatores psicológicos
• Traumas passados, como abuso, negligência, acidentes ou perdas significativas;
• Estilos de pensamento negativo, como catastrofização ou autoexigência extrema;
• Perfeccionismo ou dificuldade em lidar com a incerteza.

Fatores ambientais
• Excesso de responsabilidades ou pressão académica/profissional.
• Problemas familiares, relacionais ou económicos;
• Eventos de vida stressantes, como mudanças, separações, doenças ou desemprego;
• Ambientes inseguros ou instáveis, como locais com violência ou discriminação.

Fatores comportamentais e de estilo de vida
• Privação de sono ou má qualidade do sono;
• Consumo excessivo de cafeína, álcool ou outras substâncias.
• Sedentarismo e ausência de atividades relaxantes ou prazerosas;

Nem sempre é possível identificar uma causa única. O importante é reconhecer os sinais e procurar apoio adequado.

Quais os sintomas mais comuns?

A ansiedade pode manifestar-se de formas diferentes em cada pessoa, mas há sintomas físicos, cognitivos e comportamentais que são comuns à maioria dos casos. Estes sinais podem surgir de forma gradual ou repentina e, quando persistem, podem interferir significativamente na vida diária.

Sintomas cognitivos e emocionais

  • Preocupações excessivas e constantes, difíceis de controlar;

  • Pensamentos intrusivos ou catastróficos, muitas vezes repetitivos;

  • Dificuldade de concentração ou sensação de mente “em branco”;

  • Irritabilidade, sensação de tensão ou de inquietação interior.

Sintomas físicos

  • Tensão muscular, dores de cabeça ou sensação de peso no corpo;

  • Palpitações, respiração ofegante ou sensação de aperto no peito;

  • Sudorese, tremores ou formigueiros nas mãos e nos pés;

  • Fadiga constante, mesmo após uma noite de sono;

  • Alterações do sono, como dificuldade em adormecer ou despertares frequentes.

Comportamentos associados

  • Evitação de situações que causam ansiedade, como apresentações, exames ou interações sociais;

  • Mudanças nas rotinas para reduzir o desconforto, o que pode levar ao isolamento.

Quando estes sintomas se tornam persistentes e afetam o bem-estar ou o funcionamento diário, é importante procurar ajuda profissional.

É comum ter ansiedade?

Sim. Sentir ansiedade é comum e faz parte da experiência humana. No entanto, para algumas pessoas, essa ansiedade transforma-se num problema mais sério — as chamadas Perturbações de Ansiedade, que são condições de saúde mental tratáveis.

Existem diferentes tipos de ansiedade?

Quando a ansiedade se torna excessiva, persistente ou interfere com o dia a dia — seja nos estudos, no trabalho ou nas relações pessoais —, pode tratar-se de uma perturbação de ansiedade. Existem vários tipos:
• Perturbação de Ansiedade Generalizada (PAG);
• Ansiedade Social;
• Fobias Específicas;
• Perturbação Obsessivo-Compulsivo (POC);
• Perturbação de Stress Pós-Traumático (PEPT).
O que todos têm em comum é o nível elevado de ansiedade, desproporcional à situação, e com impacto significativo na qualidade de vida.

O que são ataques de pânico?

Pessoas com ansiedade podem ter ataques de pânico — episódios súbitos de medo intenso, com sintomas físicos como:
• Dificuldade em respirar;
• Tonturas;
• Suores intensos;
• Sensação de desmaio ou morte iminente;
• Despersonalização (sentir-se fora do próprio corpo).
São experiências assustadoras, mas não representam perigo de vida e podem ser tratadas.

O que posso fazer para controlar a ansiedade?  

Quando a ansiedade se agrava subitamente, é comum surgir uma sensação de perda de controlo — sobre o corpo, os pensamentos ou o ambiente. Nestes momentos, pode parecer-nos difícil acalmar. No entanto, existem estratégias simples e eficazes que podem ajudar a reduzir os sintomas de ansiedade de forma imediata.

Estratégias para aliviar a ansiedade no momento

1. Respiração profunda e lenta
Respirar profundamente, inspirando pelo nariz durante 4 segundos, retendo o ar por 2 segundos e expirando pela boca lentamente durante 6 segundos. Repetir este ciclo durante alguns minutos.

2. Focar a atenção no presente (Grounding)
Olhar à volta e identificar: 5 coisas que estamos a ver, 4 que conseguimos tocar, 3 que conseguimos ouvir, 2 que conseguimos cheirar e 1 que conseguimos saborear.

3. Relaxamento muscular progressivo
Contrair e relaxar, lentamente, diferentes grupos musculares (ombros, mãos, pernas).

4. Falar com alguém de confiança
Partilhar o que estamos a sentir pode trazer alívio emocional imediato.

5. Visualização positiva
Fechar os olhos e imaginar um lugar seguro e tranquilo. É importante concentramo-nos nos detalhes: sons, cheiros, texturas.

6. Movimento físico leve
Dar um pequeno passeio, alongar ou fazer exercícios suaves pode ajudar a libertar energia acumulada.

Existe tratamento para a ansiedade?

Sim, a ansiedade tem tratamento e, na maioria dos casos, as pessoas conseguem alcançar uma melhoria significativa da sua qualidade de vida com apoio adequado.

Abordagens terapêuticas principais

Atualmente, os tratamentos mais eficazes para os transtornos de ansiedade incluem:

  • Psicoterapia
    A abordagem mais recomendada é a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), que ajuda a pessoa a identificar e modificar padrões de pensamento e comportamento disfuncionais.

  • Medicação
    Em alguns casos, pode ser necessário o uso de medicamentos ansiolíticos ou antidepressivos, sempre sob orientação médica. A medicação pode ajudar a reduzir os sintomas, especialmente em fases mais intensas da ansiedade.

  • Combinação das duas abordagens
    A conjugação de psicoterapia com medicação revela-se, muitas vezes, mais eficaz, especialmente em situações de maior gravidade ou cronicidade.

Estratégias de autocuidado no dia a dia

Além do tratamento clínico, adotar um estilo de vida saudável pode fazer uma grande diferença na gestão da ansiedade. Eis algumas práticas recomendadas:

  • Exercício físico regular – promove o bem-estar e reduz os níveis de stress;

  • Alimentação equilibrada – influencia o humor e o funcionamento do sistema nervoso;

  • Sono de qualidade – essencial para a regulação emocional;

  • Momentos de lazer e descanso – ajudam a recuperar o equilíbrio;

  • Manutenção de relações sociais saudáveis – estar com pessoas que nos fazem sentir bem é protetor.

E se precisarmos de ajuda?

A ansiedade pode ser avassaladora, mas é possível aprender a geri-la e recuperar o equilíbrio.

Pedir ajuda é um ato de coragem — e o primeiro passo para cuidar da saúde mental.

Quando o peso se torna difícil de suportar, partilhar o que se sente com alguém de confiança pode fazer toda a diferença. Falar permite aliviar, clarificar e abrir caminho para o apoio certo, no momento certo.

Ninguém precisa de enfrentar tudo sozinho/a.

Além disso, existem recursos a que podes recorrer:

VÍDEO: Anabela Figueiredo e a ansiedade. “Deixei de andar de carro, de jantar com amigos”

PODCAST: Calmantes: Portugal é o país da OCDE com maior consumo de ansiolíticos. Porquê? – Que voz é esta? – Omny.fm

 

Fale Connosco

Estudantes da ESEUL - Serviço de Apoio Psicológico

Clique aqui, aceda à área reservada, para efetuar os pedidos de consulta. Em caso de dúvidas, contactar gape@esel.pt

Estudantes da ESHTE - Serviço de Apoio Psicológico

Clique aqui para efetuar os pedidos de consulta.
Em caso de dúvidas, contactar psicologia@eshte.pt

Apoio Psicológico via WhatsApp

Clique aqui ou no botão flutuante com o ícone do Whatsapp e submeta a mensagem. Em seguida receberá um link para um questionário inicial.
Um/a psicólogo/a (ESEUL/ESHTE) contactará até ao dia útil seguinte.